Uma História, uma só paixão

26 de julho de 2014

O abraço

O título da crônica de hoje, refere-se a um e-mail que recebi de uma grande pessoa. Confesso que resolvi publicá-lo pelo simples fato de falarmos de amor exatamente da mesma forma. Nos importamos com pequenos gestos e nos apaixonamos da forma mais sensata (ou insensata, veja como quiser), possível. O GALO estava presente e nessa história, que ainda não chegou ao fim, ele será papel fundamental na união desses dois. Vamos lá:

"É um domingo de sol, perto do fim de 2010. O Atlético não corre mais o risco de cair. Por outro lado, não luta por mais nada naquele campeonato. Na prática, não há o menor motivo para eu querer ir ao bar ver o jogo com a Galosampa, gastando meu suado dinheirinho de estagiário em comida e refrigerante caro. Apesar de não ter motivo, eu vou. Hoje, além dos amigos habituais que vejo quase semanalmente, há outro motivo para eu querer ir ao boteco. Mas falo dele mais para frente.

Estou ansioso. São quase 16h, o jogo vai começar. Ainda assim, estou em casa. Ando até a varanda, volto para a sala. Me sento no sofá e tento ver televisão. Não consigo. Me levanto e vou novamente para a varanda. Olho para o ponto de ônibus do outro lado da rua. Nada. Entro novamente e me sento na frente da TV. Me levanto novamente, na hora que minha mãe entra na sala.

- Uai, você ainda não foi para o bar?

- Tô esperando aquela minha amiga de Guarulhos.

- Acho que ela gosta de você.

- Oi?

- É, uai! Não acredito que ela vem de Guarulhos e atravessa São Paulo só para ver o Galo jogar. Acho que ela tá é afim de você.

- Quem dera… - resmungo na hora que meu celular toca. Atendo e vou até a varanda. Ela está descendo do ônibus acompanhada de dois rapazes, os dois com a camisa do Galo. Um deles eu conheço, é o irmão dela. O outro, não. Namorado?

Me despeço da minha mãe e desço o elevador. Eles me esperam no portão. Ela abre um sorriso lindo ao me ver. Meu estômago congela quando a cumprimento com um beijo, bochecha na bochecha, como os paulistas se cumprimentam. O irmão dela me estende a mão. Ela indica o outro cara e fala, num sotaque paulista carregado:

- Esse é o Marcos, meu primo.

Engraçado, apesar de atleticana, ela nasceu em Guarulhos. Filha de pais mineiros que se mudaram para a Grande São Paulo quase 30 anos atrás. Na minha cabeça, é quase inconcebível uma pessoa nascida em São Paulo, com quatro times à disposição, torcer pelo Atlético. Ou, melhor, é inconcebível alguém que torce pelo Galo ter um sotaque paulista tão forte.

- Já te falei que acho muito esquisito alguém vestir a camisa do Galo e falar um paulistês tão carregado? - eu brinco.

Ela ri. Meu São Victor do Horto - que naquela época ainda não era santo - que sorriso lindo que ela tem. Como eu queria ver esse sorriso todos os dias! Ser a última coisa que vejo ao anoitecer e a primeira ao amanhecer! Vamos caminhando para o bar e brincando. Na minha cabeça, um turbilhão de sentimentos. Alívio pelo cara não ser namorado dela. Por outro lado, estava meio puto por ele estar ali. Explicando: queria que o Galo marcasse um gol naquele dia. Na hora do gol, eu ia abraçá-la. Só que seria um abraço um pouco mais forte que o comum. Talvez ela perceberia que eu não queria ser só um amigo. Com sorte, ela corresponderia o abraço. Na verdade, já fiquei intimidado de fazer isso outras vezes, só com o irmão dela por lá. Com o irmão e o primo, ia ficar ainda mais complicado.

Chegamos no bar. O pessoal de sempre está lá. Nos cumprimentamos, falamos as besteiras de sempre, nos sentamos em uma mesa perto da televisão. Consigo me sentar do lado dela. Isso é bom. O jogo começa. Truncado, como sempre. O time de 2010 não é dos melhores… o adversário se aproveita de sua superioridade e abre o placar. Pouco depois, 2 a 0. 3 a 0 para fechar o caixão. É… meu abraço está cada vez mais distante…

Mas no fim do jogo, sei lá o que acontece e a bola sobra no pé do Tardelli. O atacante finta um zagueiro e chuta para o fundo do gol. Caixa! Golhaço (como gritaria Willy Gonser)! Tatatatata Tardelli neles, Galo! O pessoal da Galosampa explode de alegria. Comemoro junto deles. Olho para ela, ela olha para mim também. É só abraçá-la, vai lá! Hesito, o primo dela a abraça antes. Perco o tempo do abraço, fica para a próxima.

Acaba o jogo. Vou com ela, o irmão e o primo até o ponto de ônibus da principal avenida da Lapa. Dali, passa o ônibus que volta para Guarulhos. No caminho, brinco com ela. Ela é muito pé frio! Ela me lembra do último jogo que ela veio e o Atlético venceu, mas destaco que nos anteriores, o Galo perdeu. Rimos um pouco mais.

Chegamos no ponto. Depois de alguns minutos, o ônibus aparece. Cumprimento o irmão dela. Cumprimento o primo. Chega a hora de cumprimentar ela. Dou um abraço, acompanhado de um beijo na bochecha. Meu estômago congela. Ela sorri pra mim, sobe no ônibus e vai embora.

No mês seguinte, ela começou a namorar. Nunca mais voltou ao bar.

Não houve uma próxima vez para o abraço."
Declaração de Jonas Santiago.

É, meu amigo, se a garota lhe faz sorrir após uma derrota do Atlético, case-se com ela! Você pode se comparar ao Emerson Conceição ao não conseguir conquistar seu amor, no caso dele, a torcida. Mas você tem fé do atacante que marcou o gol na última partida que vocês dois assistiram juntos. Tardelli fez seu centésimo gol por aqui, um dia, você também vai marcar o seu!

Um abraço e torço por você!
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Sobre o Autor:
Thaís de Lima

Thaís de Lima

Portadora de sangue preto e branco.

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