Uma História, uma só paixão

28 de novembro de 2014

Pelo meu bisavô

É com muita honra que a crônica de hoje vai falar sobre o soberano de Minas Gerais, aquele que agitou o Mineirão - mesmo com o menor número de ingressos disponibilizados -, falaremos do inesquecível GALO, que atendendo ao pedido de Drummond, o Senhor não deixou capitular.

Amigos, a intuição do atleticano não falha. Ele acreditou, buscou e venceu! Foi por aquele Brasileiro desprezível, foi por toda arrogância, foi pela promessa que fiz ao meu bisavô.

Vocês devem estar se perguntando: " - Ora, e que diabos temos com isso? Que promessa é essa?". Lembro-me como se fosse hoje, meu bom e velho Ângelo sentado em uma cadeira que estava na varanda de sua casa, com os olhos lacrimejados ao falar da goleada sufocante que havíamos sofrido e jurando de pés juntos que nos vingaríamos!

- Deixa, bisa! Deixa eles falarem, eu prometo pra você que o Brasileiro de 2012 é nosso.

Não cumpri. Decepcionei a mim e a pessoa que ensinou boa parte da minha família a torcer pelo Atlético.

- Desculpe-me, eu não queria entristecer você. Mas o senhor viu? Nós jogamos muito! Merecíamos!

Senti minha alma aliviada ao ver o sorriso daquele ser frágil, ali na minha frente.

- Eu estou feliz. Tudo bem, minha filha. Você viu como o Ronaldinho é espetacular? E o nosso toque de bola? Eles é que meteram a mão no nosso GALO, senão a gente tava com esse título no bolso!

Mesmo depois disso, eu ainda estava o devendo algo, queria dar um título ao meu bisavô, queria vê-lo comemorar.

Chega a Libertadores 2013, somos CAMpeões.

- Não te dei o Brasileiro, mas serve a Libertadores?

- Depois do que jogamos, eu não queria mais título, vi o Atlético ser Atlético, a taça veio de brinde.

E me deu um abraço demorado, como se ele ainda ouvisse o Pequetito narrando a defesa de São Victor naquele jogo contra o Tijuana. Os olhos dele brilhavam, era a magia do GALO cobrindo seus lábios, seus gestos, e por fim, tomando o restante de seu corpo. São nossas cores que o mantém vivo.

De lá pra cá, bastante coisa ocorreu, alguns nos deixaram, outros foram submetidos a desafios, mas meu bisavô continua firme e forte, ele merece mais festa. Pronto! Somos CAMpeões da Recopa e Copa do Brasil, sendo que no segundo triunfo, derrotamos o nosso arquirrival.

Aos noventa e dois anos, essa vitória foi pra você, atleticano. Obrigada por me ensinar que os títulos são apenas brindes e o que vale mesmo, é essa nossa vontade de gritar toda vez que ouvimos falar do GALO.

Puxa a cadeira aí, bisa, chega mais, vamos falar do jogão. Senta e fala com esse seu jeitinho o que aconteceu na quarta-feira!

- O que aconteceu direito, eu não sei. Só sei que eles vão ter pesadelos com o Tardelli!

 Foto: Gabriel Castro
Sobre o Autor:
Thaís de Lima

Thaís de Lima

Portadora de sangue preto e branco.

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